clique para ver o menu de curadores
 
 


Transfigurar, mudar, alterar e interpretar foram sempre, desde o início da arte moderna, os principais enfrentamentos a que se dedicaram os criadores da arte de nosso tempo. A partir do impressionismo, mais notadamente baseado no fauvismo, a arte, tendo a natureza como fonte, busca a reinterpretação com a exacerbação de formas, a dinâmica de linhas, a instigação do psiquismo ou a radicalização política. Foi assim no expressionismo, quando artistas, marcados pela tragédia, pela ironia, pelo simples lirismo, ou até mesmo pela sexualidade, transformaram a arte e sua linguagem em ferramental político ou, muitas vezes, em código estético para traduzir um mundo em guerra.

E esta tendência artística, tendo mesmo sofrido radicais transformações na sua origem, mostra vigor e ainda ímpeto ao conquistar o tempo histórico, e servir criticamente à sociedade atual.

O grupo de artistas de nossa cidade, reunidos nesta exposição sob o segmento Transfigurações, é uma mostra do caráter que pode assumir hoje o viés expressionista: do realismo crítico a uma feição fantástica, do lírico ao sensual, de uma força primitiva a uma figuração dramática, pós-moderna e contemporânea. Claro está, e nem é possível neste pequeno grupo de artistas, abarcar todos os prismas deste olhar na arte de hoje em Niterói, mas são exemplos de um nicho que ainda perdura, artistas que procuram a brutalidade da emoção, como a desejar transfigurar o mundo e a realidade em que vivem e criam.

Em um mundo que se pretende anódino e linear, e na verdade se mostra cada vez mais injusto e cruel, nesta passagem de milênio, a arte encontra terra fértil para reivindicar a expressão como meio crítico, um modo dionisíaco de retratar a sociedade.

Cláudio Valério Teixeira