Receptáculo de estímulos, território dos sentidos,
o corpo é a dimensão para todas as artes. Como canal da sensibilidade
e do intelecto, na realização e na fruição da
obra de arte, como alusão sígnica, no uso de adereços,
enquanto escrita de si e da cultura, ou na expressão corporal, o
corpo, é ainda, intérprete tátil. No prazer e na dor,
o corpo e o espírito estão unos e indivisíveis enquanto
há vida.
A extensa
abertura no olhar ao corpo, neste segmento de curadoria, é mero
reflexo, sintonia, com a ambiência plural desta exposição.
Artistas
nos falam através do corpo como próprio suporte da arte
em performances que abordam esferas do suprarreal e da sensualidade. Outros
mergulham na experiência matérica, utilizando-se ou aludindo
aos próprios elementos do corpo, como sangue ou lágrimas.
Alguns suscitam erotismo, vitalidade ou morbidez em desenho, fotografia,
pintura, ou como temática de suas instalações. Tecidos,
máscaras e pinturas corporais remetem-nos à esfera decorativa,
falseadora e sedutora da segunda pele.
Outra questão,
sublinhada aqui, é o corpo mediado pela tecnologia. Traduzido pela
linguagem videográfica e da computação gráfica,
o corpo é ressemantizado em dimensões que evocam universos
imagéticos e sensórios inéditos, instaurados pela
ilimitada abertura da tecnologia digital.
O corpo,
clássico paradigma da arte, território efêmero em
constante metamorfose, renova-se na busca incessante da redescoberta dos
nossos sentidos de sempre, mediante à contaminação
com o outro, à provocação do diálogo, como
essência da arte e da vida.
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