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NITERÓIARTEHOJE A Pós-modernidade tem, como delineamento crucial, o redimensionamento dos conceitos de tempo e espaço, transformando as verdades segmentadas dos valores modernistas. Questões como a transitividade entre as linguagens, expressa na diluição das fronteiras especializadas, a sincronia de todos os tempos no tempo presente, e a liberdade de interação entre os meios expressivos, são da ordem do dia, em se tratando da trajetória da arte nesta transição de milênios. Uma percepção meramente linear arrisca-se em gerar distorções imersas em situações circunstanciais, muitas vezes protagonizadas por visões excludentes, tomadas por ângulos já exauridos pelas vanguardas modernas, circunscritos aos remanescentes postulantes da ditadura da novidade. Se o modernismo rompeu cânones clássicos das artes, o pós-modernismo desorganiza este conhecimento, buscando outras reformulações e combinações, sem a obrigatoriedade da busca do novo. Mais do que sempre, múltiplos convivem em sinergia. A exceção pontua-se no genérico. A pluralidade é tecida por contrários. O atual contém o antigo. A contemporaneidade se revela ambígua, permissiva, e fascinante. A diversidade de olhares evoca o questionamento, provoca a reflexão e move a busca vital e incessante por caminhos outros. A exposição Niterói Arte Hoje sugere esta ambiência no seu conceito. Dez módulos de curadorias contemplam vertentes estéticas diversas, híbridas, ou até mesmo conflitantes, revirando o universo artístico de Niterói em espectro amplo, mediante pesquisa abrangente. A intenção foi cooptar uma amostra significativa de artistas que se vinculam afetivamente ou profissionalmente à cidade, e traçar um panorama de uma geração da arte local. Ao mapear estes artistas intencionamos também captar conjuntamente curadores, professores, personalidades, enfim, que estão pensando, escrevendo, contribuindo para a construção do pensamento artístico na cidade. A figura do curador-artista, tão comum no meio de arte, é destacada na exposição. Cada curador pensou seu segmento de curadoria contaminado por sua prática artística, convidando colegas por afinidade eletiva ao seu universo de atuação e participando com seu próprio trabalho. Aqui, o recomendado distanciamento racional cede espaço à aventura do olhar sensível, rompendo o tênue limiar da razão e da emoção. Cláudio Valério Teixeira e Kátia de Marco |
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