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Atrás do olhar. Este é o local estratégico onde a
maioria dos artistas visuais contemporâneos gosta de estar quando
elabora suas obras. Estar atrás dele não significa porém
negá-lo. Estar ali permite, no entanto, ultrapassar a mera identificação
subjetiva com o "belo" a ser produzido, a pura motivação
visual para a elaboração da obra, rejeitando aquilo que
Marcel Duchamp classificaria como obra retiniana, em sua recusa do formalismo.
Da radicalização das idéias duchampianas, dentre
outras coisas, derivaria o conceitualismo, que colocou em segundo plano
a visualidade para destacar a idéia, o conceito. A pop art se serviria
também do acervo de idéias duchampianas, especialmente a
do ready-made, com seu recurso à apropriação de coisas
para constituir a obra. Só que apostando numa visualidade vibrante
e na reabilitação da representação figurativa,
sem privilegiar o conceito.
A fusão
destas duas vertentes impregna a obra de muitos artistas brasileiros contemporâneos
- que formulam conceitos sem negar o apelo ao olhar e vice-versa - como
uma tendência permanente desde os anos 1970. Lembrem-se de como
a pop art ganharia no Brasil um acentuado sentido crítico, e de
muitas obras conceituais - as de Cildo Meireles, por exemplo - que exprimem
conceitos a partir de soluções visuais magistrais. Jac Leirner,
de uma geração mais recente pode ser um outro exemplo.
Os artistas,
reunidos por mim para o setor Atrás do olhar desta mostra, enquadram-se
de alguma maneira nesta tendência. Contudo, não há
entre eles unidade visual ou conceitual. Usam materiais e procedimentos
diversos e tratam de questões ligadas à ecologia, à
história e ao sistema da arte, ao tempo, à cultura popular,
entre outras. Unem-se por essa preocupação de se situar
atrás do olhar sem perdê-lo de vista, para criar obras que
o afirmam e ultrapassam. Alguns poderiam estar, também, em setores
diversos nesta mostra, do mesmo modo que este aqui poderia abrigar artistas
cujas obras se adaptaram melhor a outros, que tratam de questões
mais especificamente ligadas a elas.
Jorge Duarte
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