Entrevista
com Pedro de Luna e Marcelo Blau Blau
1
– O que é o movimento Araribóia Rock e qual a sua
principal proposta?
Pedro – É uma forma de organização
das bandas de rock da cidade para reivindicar maior espaço e
apoio ao gênero, seja da iniciativa privada quanto (e principalmente)
dos órgãos públicos, como Secretaria de Cultura,
Niterói Discos e Neltur. Nossas propostas encontram-se detalhadas
em www.arariboiarock.blogger.com.br.
Marcelo
- Nossa principal proposta é buscar espaço para as diversas
bandas de rock que existem na cidade e encontram-se atualmente desamparadas
e com pouquíssimos locais para mostrar e divulgar seu trabalho.
2 – Como vocês analisam o cenário do Rock
na cidade de Niterói?
Pedro – Está longe do ideal,
sobretudo se comparado ao início dos anos 90, quando havia diversos
espaços para shows, muitas bandas de qualidade e fanzines para
divulgar a cena. Hoje, a comunicação circula mais rápido
com os blogs, fotologs e e-mails, assim como existem mais e melhores
estúdios de ensaio e gravação. Porém, de
nada adianta existirem bons grupos se eles tocam apenas no Convés.
São poucos os que conseguem se apresentar em outras cidades e
estados, como acontece com Bendis, The Feitos, Seu Miranda, Filhos do
Totem, Bleach e Noitibó, por exemplo.
Marcelo - Apesar de existirem boas bandas,
o cenário vive uma crise de falta de espaço e de apoio
dos órgãos públicos e privados. Isto acaba sendo
um desperdício de talento e da oportunidade para a divulgação
do potencial cultural da cidade.
3
– Quantas bandas já aderiram ao movimento? E com que tipo
de apoio o Araribóia Rock conta?
Pedro – Mais de 50 já declararam
apoio, porém na ocasião em que entregamos os kits ao Pop
Oceânico e ao subsecretário André Gagliano, havíamos
reunido material de 25 bandas. Aos poucos, estamos agregando também
bandas de São Gonçalo e do Rio de Janeiro que tenham integrantes
de Niterói. Quanto mais repercussão o movimento tiver,
melhor para cidade e bandas que ficam esperando convites para tocar.
Marcelo
- Contamos com apoio essencial das bandas e da imprensa que têm
recebido bem a iniciativa.
4 – O movimento atua na organização de shows?
Como são selecionadas as bandas que tocam nos eventos?
Pedro – O movimento em si não
organiza shows, e sim ajuda na divulgação dos mesmos.
Uma das nossas propostas de realização de eventos é
o festival anual Araribóia Rock, porém a Secretaria já
informou que não tem verbas para o evento. A outra seria um Pop
Oceânico temático, com bandas do Araribóia Rock.
Também existe um projeto de shows gratuitos em pistas de skate,
mas para se tornar realidade precisamos de patrocinadores.
O que vem fortalecendo, na prática, é a união das
bandas e produtores que organizam shows, já que todos se conhecem
de longa data. Aqueles que outrora lucravam em cima das bandas e não
davam cachê ou outro tipo de ajuda de custo caíram no descrédito.
Marcelo
- A princípio, para tocar, a banda precisa ter alguma coisa gravada
para demonstrar qual é o seu som e estar disposta a colaborar
na divulgação do evento trazendo seu público.
5 – Que tipo de divulgação o movimento utiliza
e qual o retorno?
Pedro – Utilizamos muito a Internet,
como disse antes, postando as informações e os flyers
em blogs, sites, fotologs e através do nosso informativo por
e-mail. Mas uma parceira de ouro tem sido a imprensa, que divulga nossos
eventos. Fica aqui o agradecimento ao Julio Vasco, jornal O Fluminense,
O Globo Niterói, revista Programa, jornal Extra, jornal LIG,
ao Leo Rivera (A Tribuna), ao Ricardo Schott (Nitideal), ao Humeletronico.com
e todos aqueles que ajudaram ou ajudarão daqui em diante.
Importante deixar registrado que pretendemos fazer o Araribóia
Zine, um informativo mensal, impresso, com tiragem de 1.000 cópias
e distribuição gratuita. Criando este canal, levaremos
nossas propostas para bandas que ainda não conhecem e, quem sabe,
para empresários e produtores dispostos a colaborar com a nossa
iniciativa.
Marcelo
-
Também existe a divulgação através dos eventos
de rock que têm acontecido na cidade. Vários deles estão
colocando o logotipo do movimento nos panfletos e cartazes, judando
a difundir a iniciativa. Isso demonstra que o retorno tem sido ótimo
e que as bandas, figuras mais importantes nesse cenário, apóiam
o Araribóia Rock.
6 – Quais são os planos do Araribóia Rock
para o segundo bimestre de 2005?
Pedro - O próximo passo é
a realização dos debates em faculdades de comunicação.
Nossa idéia é reunir vereadores, secretários ou
subsecretários, alunos, músicos e niteroienses bem sucedidos
no ramo do jornalismo ou da música para debater soluções
para este problema que não atinge apenas o rock, mas também
o blues, o reggae, o metal e outros gêneros. Também estaremos
torcendo para que nosso projeto de coletânea seja aprovado pela
Niterói Discos através do edital, bem como o festival
que eu propus ao Teatro da UFF através do seu Edital de Música.
Marcelo
- Enfim, vamos trabalhar e buscar todo o tipo de possibilidade para
o crescimento das bandas, aumentando suas atividades, visibilidade e
buscando novos tipos de público.
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