
Ernesto
Nazareth (1863-1943) é sem dúvida o compositor
que mais ajudou a divulgar o piano, compondo melodias populares
e refinadas e por isto situadas, segundo os críticos,
entre a música popular e a música erudita.
Nazareth chamava suas composições de tango,
mas eram verdadeiros “choros” que entraram para
a galeria das principais composições do gênero
– “Odeon”
e “Apanhei-te,
cavaquinho!”, são bons exemplos.
Ele “fez do seu piano uma espécie de síntese
da música dos chorões”, incorporando
ao seu teclado o balanço das ruas.(8)
Chiquinha
Gonzaga (1847-1935) é outro vulto do piano em
nossa história musical. Em vida ela teve uma grande
cumplicidade com o flautista Callado,
pois durante o difícil período que viveu após
a separação do marido e a rejeição
de sua atitude por parte de seus familiares, foi na amizade
com o flautista que surgiu a oportunidade de sobreviver
com o que mais gostava de fazer, tocar piano e compor melodias.
Como pianeira do grupo de chorões de Callado, o Choro
Carioca, Chiquinha consolidou definitivamente a sua presença
na boemia da cidade.
Depois de tocar piano em vários grupos de
choro, Francisca Gonzaga se tornaria a maestrina Chiquinha
Gonzaga, que faria imenso sucesso no Teatro
de Revista e comporia centenas de peças musicais,
entrando definitivamente para a história da música
brasileira com seu estilo faceiro, saltitante, genuinamente
carioca. Uma de suas peças, de 1889 -nove anos, portanto,
depois da morte do flautista - vai ser a primeira referência
à palavra choro como gênero musical: o tango
característico "Só no choro".
Mas o piano não abafou o instrumento harmônico
mais democrático da época: o violão.
Apesar de não ser visto com bons olhos por parte
da sociedade carioca - é só lembramos de O
triste fim de Policarpo Quaresma de Lima Barreto e seu personagem
Ricardo Coração dos Outros(9)
- o violão foi presença constante nos saraus
das famílias simples, medianas e nobres da corte,
sempre acompanhado de versos e cantorias.