TRECHO DO LIVRO "FLÁVIO DE CARVALHO"
de Luiz Camillo Osorio
O Bailado e a Experiência nº 2 habilitam-nos a aproximar Flávio de Carvalho das vanguardas históricas e tomá-lo, sem determinismos, na contramão de uma tendência mais ideológica - assumida por nosso modernismo ao longo da década de 30 - que parecia se sobrepor à experimentação estética, mais associada aos anos 20. Poucos artistas desafiaram tanto a recepção tradicionalmente passiva do público. Fosse encenando um ritual primitivo - o Bailado -, fosse provocando uma reação primitiva dentro de um ritual institucionalizado - a procissão -, Flávio de Carvalho buscava novos territórios de intervenção, instigando o público a viver, mesmo que violentamente, sua expressividade e seus desejos. A possibilidade de dissolução no caos e no informe é um risco que, em certas horas críticas, deve ser corrido no sentido de gerar uma energia de transformação necessária para renovação das práticas artísticas.
(páginas 23 e 24)